ISRAEL – Bolsonaro se reúne com embaixador de Israel pela segunda vez

Encontro com embaixador israelense abre a agenda de Bolsonaro nesta quarta (28)

POR MILTON ATANAZIO

Desde que foi eleito presidente da República e ela segunda vez, Jair Bolsonaro se reuniu com o embaixador de Israel, Yossi Shelley. O encontro ocorreu na manhã de hoje (28), na residência oficial da Granja do Torto, em Brasília, onde o capitão da reserva pernoitou. Participaram da conversa o futuro chanceler Ernesto Araújo e o futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Heleno.

O teor da conversa não foi divulgado pelos assessores, mas a visita do diplomata ocorre poucas horas depois de o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, ter dito que a embaixada brasileira no país será transferida de Tel Aviv para Jerusalém.

Após o encontro, Bolsonaro postou mensagem no Twitter sobre o encontro: “O Brasil tem tudo para ser uma nação respeitada e admirada no mundo todo”.

O próprio Jair Bolsonaro havia sinalizado essa intenção, mas adotou um tom mais moderado nas últimas semanas. O futuro mandatário do país vem sofrendo diferentes tipos de pressão, interna e externa.

Eduardo, que está nos Estados Unidos, retomou o assunto depois de participar de um almoço na Câmara de Comércio de Washington.

Eduardo Bolsonaro

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou ontem (27) que o futuro governo tem a intenção de mudar a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O deputado disse que acredita que já está decidido que a mudança ocorrerá e que “a questão não é perguntar se vai [ocorrer], a questão é perguntar quando será”, afirmou.

“A gente ainda não sabe ao certo dentro do governo a data, como é que ocorre. A gente tem a intenção e a ideia”, disse. A afirmação foi feita em Washington, depois de o deputado ter se reunido na Casa Branca com o conselheiro sênior e genro de Donald Trump, Jared Kushner. Kushner é um dos principais articuladores da política para o Oriente Médio do governo Trump.

Episódio do cancelamento da  visita do chanceler Aloísio Nunes ao Egito

No início de novembro, uma visita do chanceler brasileiro, Aloysio Nunes, ao Egito foi cancelada pelo governo do país. O cancelamento ocorreu após o anúncio de Jair Bolsonaro de que tinha a intenção de mudar a embaixada de Tel Aviv para Israel. Sobre o cancelamento, o deputado afirmou que não vê “crise nenhuma”, pois, segundo ele, a visita foi apenas adiada para o próximo ano.

“Quem não foi para o Egito foi só o chanceler Aloysio Nunes. Todo o corpo empresarial que estava previsto para ir para o Egito foi, inclusive a pedido das autoridades egípcias”, afirmou. O deputado também disse que o chanceler do próximo governo, Ernesto Araújo, deve cumprir a agenda e “com certeza fará bons negócios lá”. “Até porque, neste meio de transição, eu já recebi duas vezes a visita dos embaixadores dos Emirados Árabes Unidos”.

Consequências para o comercio internacional

Sobre possíveis consequências para o comércio internacional e represálias de outros países por causa da mudança, o deputado afirmou que acredita que será possível encontrar uma maneira de solucionar a questão. “Eu acredito que a política no Oriente Médio já mudou bastante também. A maioria ali é sunita. E eles veem com grande perigo o Irã. Quem sabe nós apoiando políticas para frear o Irã, que quer dominar aquela região, a gente não consiga um apoio desses países árabes”.

O deputado também afirmou que não conversou com Jared Kushner sobre uma futura visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil. Segundo ele, o tema deve ser discutido durante a visita ao Brasil do Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, no dia 29 de novembro, para encontro com o presidente eleito Jair Bolsonaro.

O deputado cumpre agenda nos Estados Unidos, quando se reuniu com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, com o secretário-adjunto do Tesouro Americano, David Malpass, participou de evento no American Enterprise Institute e de reuniões com representantes do Departamento de Estado, do vice-presidente norte-americano Mike Pence, do Departamento de Comércio e do Conselho de Segurança Nacional. Hoje, além do encontro com Kushner, Bolsonaro esteve na Câmara de Comércio Brasil – Estados Unidos, onde se reuniu com empresários e investidores.

Reconhecimento polêmico de Trump

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por Trump, em dezembro de 2017, gerou polêmica e foi criticado pela União Europeia e por países árabes porque rompe com o consenso internacional de não reconhecer a cidade como capital da Palestina ou de Israel até que um acordo de paz seja firmado entre as duas partes.

No dia da inauguração da embaixada americana, em maio deste ano, confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza durante protestos deixaram mais de 50 palestinos mortos.

Embaixadores Árabes

Os embaixadores Árabes defendem a neutralidade do país, como sempre foi a tendência diplomática nas posições do Brasil.

O embaixador da Jordânia, Malek Twal, tem declarado que não quer que o Brasil se envolva no conflito que há décadas causa tensão no Oriente Médio. “Nós não queremos que o Brasil seja parte deste conflito. Não entendemos o motivo de o Brasil querer ser parte quando pode ser um agente mediador”, assinala.

Nabil Adghoghi, embaixador do Marrocos, menciona que a eventual mudança do local da embaixada poderá prejudicar a imagem do Brasil no exterior. “Nenhum país, exceto os Estados Unidos, mudou a embaixada. A curto prazo, isso pode agradar a Israel, mas, a longo prazo, não terá nenhum efeito. A longo prazo, queremos a paz no Oriente Médio e a mudança de embaixada não vai trabalhar para isso. A imagem do Brasil será muito perturbada, além dos problemas comerciais”, previne.

Alaa Roushdy, embaixador do Egito, afirma que não ver motivos para que o país siga o mesmo caminho trilhado pelos Estados Unidos. “O Egito pede paz ampla e defende que as situações sejam baseadas nas resoluções da ONU e na instalação de um Estado palestino, cuja a capital é Jerusalém oriental”, avalia.

O embaixador da Palestina espera que “sejam seguidas as resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) e as normas do direito internacional” sobre a região. Ele deseja que o Brasil se abstenha dessa briga no Oriente Médio e permaneça como sempre fez, isento sobre a situação.

Diplomacia Brasileira

Até agora, nos 70 anos desde a criação de Israel, a postura da diplomacia brasileira sempre foi de equilíbrio entre os dois lados. O Brasil reconhece o Estado Palestino desde 2010.

Espera-se que o Brasil mantenha o posicionamento de neutralidade que lhe é peculiar, de não se envolver em questões internas dos outros países. E busque a estrada do entendimento e da Paz.

Com informações da Agência Brasil e G1

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