Vietnã com charme: saiba o que ver e fazer na histórica cidade de Hoi An

POR MILTON ATANAZIO

O embaixador do Vietnã no Brasil Sr. Do Ba Khoa, é sem sombra de dúvidas o maior divulgador do turismo de seu País. Faz isso com uma naturalidade incrível, uma simplicidade fantástica e com brilho nos olhos.

Bem comparando a uma figura nossa mundialmente conhecida, que representa a unanimidade nacional, maior futebolista da história do País, o nosso ídolo do Futebol Pelé.

Do Ba Khoa com o jornalista Milton Atanazio

Do Ba Khoa é reconhecidamente o maior divulgador e incentivador do turismo vietnamês. O Pelé na difusão do turismo Vietmanita.

Qualquer outro tema, como economia, negócios, diplomacia, resultado bilateral da balança comercial e entrosamento entre brasileiros e vietnamitas ele desenvolve muito bem. Mas não chega nem perto o brilho nos seus olhos quando fala do turismo no Vietnã.

Não é à toa que o homenageamos aqui, com informações magnificas do jornal The New York Times, em fotos maravilhosas, o explêndido país asiático. Em especial o charme, a história e a gastronomia da cidade litorânea e histórica do sudeste asiático – Hoi An.

Muitas vezes referida como a cidade mais bonita do Sudeste Asiático, Hoi An é seguramente um destino a incluir num itinerário de viagem pelo Vietnã. O voo desde Ho Chi Minh até Hoi An demora apenas uma hora.

Passeio pelo canal do Rio Thu Bon a meia hora de carro docentro histórico de Hoi An, no Vietnã Foto: Justin Mott / The New York Times

HOI AN – Situado no litoral da porção central do Vietnã ,o antigo porto comercial de Hoi An oferece um sem-fim de maravilhas,desde grupos de pescadores lançando seus barcos de bambu nas praias enfeitadas por palmeiras até agricultores de chapéu cônico fazendo a colheita nos arrozais verdejantes. A grande atração, porém, é o centro antigo, em tons mostarda,decorado com lanternas de seda coloridas. Muitas das casas comerciais de madeira, templos enfeitados e salões de reunião – uma fusão de estilos da China, Europa e Japão– são da época do auge da cidade, no século XVIII.

No início do século seguinte, porém, o porto já forasuplantado por Danang, no norte, e foi basicamente esquecido. A promoção a Patrimônio daHumanidade pela Unesco , em 1999, estimulou umressurgimento e, de uns anos para cá, o turismo em massa chegou com tudo,inclusive com ônibus lotados e resorts. Ainda assim, Hoi An é cheia de charme,com preços camaradas e um cenário gastronômico vibrante.

Volta ao tempo

Muitas das casas comerciais antigas de dois andares foram transformadas em restaurantes, cafés e alfaiatarias ou lojas de artigos de couro; porém outras tantas permanecem paradas no tempo, abertas aos turistas, como a Tan Ky, de 200 anos. Comece o passeio por ali (120 mil dong, cerca de US$ 5 ou R$ 20, pela entrada em cinco de mais de 20 locais históricos), e circule pelos 30 metros de sua área, passe pelas vigas e colunas de entalhes intricados, vá ao pátio aberto e termine no muro traseiro, onde se veem as marcas das enchentes ao longo dos anos.

Fachada do Phuc Kien, antigo salão de reunião de comercianteschineses em Hoi An, no Vietnã, hoje aberto a turistas Foto: Justin Mott / TheNew York Times

A seguir vem Phuc Kien , um dos cinco salões de reunião erguidos pelos mercadores chineses para discutir acordos comerciais e homenagear os ancestrais. Seu templo à deusa do mar guarda uma estátua em tamanho natural inesquecível, de pele azul-esverdeada, costelas protuberantes e olhos brancos arregalados. Encerre o tour na ponte coberta japonesa, um pagode em arco de 1593, mais tarde reconstruído pelos chineses e vietnamitas. O teto é enfeitado com as mesmas telhas em estilo yin yang que são vistas por toda a cidade.

Mundo da seda

Produzir e vender seda para os comerciantes estrangeiros era a maior atividade comercial de Hoi An séculos atrás. Hoje, as transações são feitas dentro das mais de 600 alfaiatarias. A qualidade e o caimento são muito irregulares (leve uma peça favorita sua para servir de modelo e dê espaço e tempo para as alterações; o prazo médio é de geralmente 24 horas. Minha mulher ficou alucinada com a calça de seda, a 940 mil dong, da Le Le Cloth Shop).

Se o que lhe interessa é o processo de criação da seda, pare na Thang Loi para um tour e veja como as larvas devoram as folhas da amoreira-branca e criam casulos que rendem quase mil metros de fio, que vira tecido nos teares barulhentos.

Cozinha ancestral

Desde que visitou o Vietnã pela primeira vez, há 27 anos, Didier Corlou assumiu como sua missão promover a cozinha local em seus livros de receitas e restaurantes em Hanói. Agora o renomado chef francês serve sua paixão no Hoi An at Co Mai. Inaugurada no ano passado com a mulher e chef Hoang Phuong Mai, a casa ocupa, muito oportunamente, um antigo armazém de especiarias.

O menu degustação (395 mil dong, cerca de R$ 67) é aposta segura para melhor provar “Hoi An no prato”, como Corlou descreve. Recentemente, estive por lá e provei o frescor e os sabores da carne de porco assada, do curry Saigon Marselha e da barracuda na folha de bananeira, que vieram depois de entradas delicadas como salada de flor de bananeira com frango e rolinhos fritos com cavala, carne de porco e cogumelo. Guarde espaço para a bandeja de sobremesas, que inclui sorbet de manga e bolo de banana com creme caramelado.

Esconderijo do uísque

Interior do Tadioto, um elegante bar de uísques no French Quarterde Hoi An, no Vietnã Foto: Justin Mott / The New York Times

A cidade começa a desacelerar por volta das 21h, mas alguns bares ficam abertos até tarde. Repare nos donos de barco, às mesas, tentando convencer os turistas a fechar passeios na calçada do Shamrock Irish Pub, que serve uma stout da Heart of Darkness, cervejaria de Saigon, mas, se preferir, jogue uma partida de sinuca ouvindo rock clássico no Dive Bar da rua Nguyen Thai Hoc.

O que mais chega perto de um speakeasy é o Tadioto, novo bar de uísque no Bairro Francês, escondido atrás da loja de roupas An Store, que leva ao balcão de sushi do Tadioto no pátio de pedra e, finalmente, ao elegante bar no fundo. Prove o Scotch (180 mil dong, cerca de R$ 30) ou o Hibiki da Suntory (250 mil dong, R$ 42). Aberto até a meia-noite. (Nguyen Qui Duc, o proprietário, vai abrir uma casa de grelhados japoneses e uma cervejaria ao lado nos próximos meses.)

Pedais e panquecas

A maioria dos hotéis e casas de família inclui bicicletas; saia, portanto, com uma delas para explorar os arrozais entre a cidade e a praia e se maravilhar com os muitos hectares verdes pontilhados com lagoas de camarões e peixes. Siga pelas trilhas cobertas por copas de coqueiros, passe pelos búfalos d’água e os agricultores arregimentando bandos de patos nos canais estreitos.

Faça uma parada no Tra Que Vegetable Village, um conjunto de hortas orgânicas onde dá para pegar o tour das 8h e aprender a preparar o solo arenoso e plantar alface vermelha antes de escolher algumas das hortaliças recém-colhidas e tomar o café da manhã no pátio externo da escola de culinária e café, além de aprender com os garçons como montar a panqueca de ovo e farinha de arroz com recheio de hortelã, manjericão e alface. Passeio e café da manhã a 280 mil dong (R$ 47).

Barraca que serve panqueca de banana perto de feira noturna em HoiAn, no Vietnã Foto: Justin Mott / The New York Times

Café de coco

Tomar café no Vietnã é uma ocasião para sentar, geralmente às mesinhas e cadeiras minúsculas de plástico nas calçadas. Para experimentar uma versão deliciosa do tradicional café gelado com leite condensado, acomode-se no Cong Caphe, à margem do rio, com decoração de inspiração militar comunista, e prove o smoothie de leite de coco e creme (45 mil dong, aproximadamente R$ 7).

Para uma incursão mais refinada e em cadeiras maiores, vá ao Mia Coffee, em meio a casas coloniais francesas na rua Phan Boi Chau. Le Quang Huy, o dono, compra os grãos produzidos nas montanhas de Dalat, faz a torrefação no próprio estabelecimento e prepara cappuccinos (37 mil dong, cerca de R$ 6) e a versão tradicional vietnamita (30 mil dong, R$ 5,10) em uma máquina importada de Seattle.

Banquete de feira

Hoi An é conhecida por diversos pratos, como os bolinhos rosa e o arroz com frango. O que melhor representa seu passado multicultural, porém, é o Cao Lau, com os sabores do Japão nos fios grossos de macarrão de arroz, da China na carne de porco ao molho de soja, e da França nos croutons de farinha de arroz.

Homem empurra seu carrinho em uma das ruas adjacentes ao mercadocentral de Hoi An, no Vietnã Foto: Justin Mott / The New York Times

Prove a iguaria no Hoi An Market. Com cara e jeito de celeiro, se expande a partir do rio, onde uma confusão de mesas lotadas de papaias e pitaias leva ao balcão de carnes, na parte interna, e de lá a barraquinhas lotadas de incenso e especiarias, e mulheres cochilando pelos bancos (abre às 6h). O salão principal comporta cerca de 60 barraquinhas bem iluminadas que oferecem rolinhos primavera e pratos de camarão. Pare no balcão de metal do número 50 e se sirva de guarnições antes de encher a tigela de cao lau temperada com pasta de pimenta vermelha. Almoço para duas pessoas a 150 mil dong (R$ 25).

Herança fotogênica

Faça um passeio truncado pelas comunidades étnicas do Vietnã no Precious Heritage Museum, inaugurado em 2017 pelo fotógrafo francês Réhahn, que passou oito anos viajando a 53 dos 54 grupos étnicos do país, fotografando aldeões e colecionando roupas, incluindo um paletó feito de casca de árvore em exibição no andar superior. O museu, cuja entrada é gratuita, fica no Bairro Francês e é também uma galeria que exibe os retratos de Réhahn, à venda em formato de postais por 30 mil dong e em reproduções em papel metálico grandes por milhares de dólares.

Se estiver por ali, ele certamente vai contar a história de seu clique mais famoso, “Hidden Smile” (Sorriso Escondido), close de uma mulher com chapéu cônico, de cara levada, cobrindo a testa e a boca com as mãos. A foto foi entregue ao presidente francês Emmanuel Macron pelas autoridades comunistas no ano passado. Quase todas as manhãs, a modelo – Bui Thi Xong, de 80 anos –, está à beira do rio, em Hoi An (perto do restaurante Cargo), oferecendo passeios em seu barco a remo.

Abundância culinária

Mesmo que não seja sua intenção, você talvez se veja em um dos oito restaurantes da Trinh Diem Vy espalhados no centro velho e nas proximidades. A grande pedida, sem dúvida, é ir ao Vy’s Market. Com um esquema praça de alimentação misturado com carrinho de rua, oferece mais de 200 pratos tradicionais, do cérebro de porco no vapor ao curry de tamboril.

Um dos pratosservidos no Vy’s Market, um dos melhores lugares para comer em Hoi An, noVietnã Foto: Justin Mott / The New York Times

Experimente o bife enrolado em folhas de bétele (105 mil dong, cerca de R$ 18) e o curry de abóbora servido na moranga (85 mil dong, R$ 14). Por mais gostosas que sejam essas opções, não deixe de comer a lula recheada com carne de porco (175 mil dong, R$ 29). A carne é moída com cogumelos e cebolinha e temperada com especiarias, e caramelizada com os queimadinhos no fundo da panela.

Caminhada mágica

Depois do jantar, saia para a travessa onde funciona a principal feira noturna de Hoi An, desviando-se do carrinho da panqueca de banana e dos grupos turísticos, para chegar à fileira de barraquinhas enfeitadas com lanternas de seda. Siga até a ponte de pedestres (mas cuidado com os ciclistas no meio da multidão) para chegar a uma pequena praça com cabanas de bambu em palafitas, onde o pessoal local se reúne para um tipo de bingo cantado.

Dependendo da noite, você encontra famílias inteiras na calçada, queimando dinheiro falso e outras oferendas em tambores de metal para os ancestrais. Por toda parte há ofertas de passeios pelo rio. Por 120 mil dong (R$ 20) e durante 15 minutos, você pode entrar em um dos pequenos botes de madeira, engrossando a flotilha para ver uma pintura a óleo ganhar vida, a profusão de lanternas nos barcos e as margens refletindo a água escura.

Sol e onda

A meia hora de carro do centro velho você pode andar de barco pelos canais do rio, ladeados por palmeiras, ou subir a Montanha de Mármore para visitar as cavernas que abrigam Budas gigantes. E, já que a cidade é praiana, por que não apenas relaxar em Tan Thanh Beach? Mais tranquila que An Bang Beach, ao norte, esse trecho de areia é espetacular, com ondas moderadas e as Ilhas Cham no horizonte. Não dá para errar com o café ou o smoothie do Salt Pub ou Sound of Silence, onde você pode se ajeitar nos lounges e/ou no mirante coberto e, se o dia estiver claro, ver os arranha-céus de Danang em miniatura no litoral.

Delícias fusion

Algumas das melhores descobertas estão ao longo das vielas estreitas que saem do centro velho. É aí que você encontra o Nu Eatery, a oeste da Ponte Japonesa, em uma casa com ares decadentes com três salões pequenos e uma sacada. Phuc Ngo aperfeiçoou suas habilidades nos restaurantes de Nova York antes de voltar para o Vietnã, em 2014, para abrir o Nu, que ele descreve como vietnamita moderno.

– É meio como a comida norte-americana, um pouco de tudo – diz.

O resultado são delícias como a salada de abacate e batata-doce, ovo frito e feijão-fava; arroz vegetariano com berinjela tostada, mostarda refogada e cogumelos, e bolinhos no vapor recheados com barriga de porco, picles e maionese temperada. Almoço para dois, 270 mil dong (R$ 45).

Acomodações

Pelo Airbnb você pode encontrar um quarto charmoso em uma das famosas “casas de família” espalhadas pelo Vietnã. Há opções de suíte com sacada por diárias de US$ 20 a US$ 30. Fuja da muvuca do centro velho optando pela estada ao norte da cidade, no distrito de Hai Ba Trung ou ao longo do afluente do Rio Thu Bom, a leste. Perto do mar, onde os preços são mais altos, a opção segura é Tan Thanh Beach.

Praticamente ao lado do centro histórico, a fachada do Ha An Hotelreproduz a paisagem antiga, com portas duplas, arcos e balaustradas e oferece quartos bonitos e acolhedores, decorados com peças de cerâmica e gravuras locais. Inaugurado em 2003, com 24 quartos. Diárias a partir de US$ 65. haanhotel.com

Em uma loja de 200 anos, o Vinh Hung 1 Heritage talvez seja o único lugar onde os turistas podem se hospedar no centro histórico – e, justamente por isso, a reserva dos seis quartos espaçosos, com piso de madeira, tem de ser feita com meses de antecedência. Diárias a partir de US$ 100. vinhhungheritagehotel.com

Paradesfrutar de um paraíso tropical com paisagens deslumbrantes, hospede-seno Victoria Hoi An Resort e reserve uma das suítesde frente para o mar. Construída em 2000 entre o rio e o mar, a propriedade eseus 109 quartos amplos combinam os estilos colonial francês e asiático, com vigasno teto e tábuas escuras no piso. Diárias a partir de US$ 140.victoriahotels.asia

Com informações e fotos do jornal The New York Times

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