ARTIGO – ESTÁ CHEGANDO A HORA…

POR MILTON ATANAZIO

A proximidade do segundo turno das eleições – marcado para o domingo – acende o alerta. A três dias da eleição, a temperatura das campanhas sobe. São divulgados, pelos vários institutos de pesquisas, resultados para todo o gosto. O candidato que está na frente, obviamente supervaloriza os resultados, bem como o candidato que está atrás, minimiza a queda e não rara às vezes aconchega os números e dá uma visão otimista e de virada.

O horário eleitoral “gratuito”, termina amanhã (26). Essa é uma excrescência brasileira, que tem de ser reavaliada. De “gratuito” não tem nada e a conta é paga pelo contribuinte. Já custa R$ 3,5 bilhões aos cofres públicos este ano.

A propaganda dos candidatos que ocupa o horário nobre das emissoras de rádio e televisão não sai de graça. Isso porque as empresas de comunicação têm direito a uma compensação fiscal por ceder o espaço ao horário eleitoral gratuito, ou seja, deixam de pagar impostos. Só nas últimas quatro eleições (de 2010 a 2016), essa isenção fiscal custou R$ 3,2 bilhões aos cofres públicos.

Nesta última eleição, acontece um fenômeno que não pode ser desprezado por nenhum dos dois lados – o fogo amigo. Tanto o capitão reformado Bolsonaro, quanto o Lulopetista Haddad se arvoraram em toda a campanha para apagar incêndios aqui e acolá.

O capitão deu o pontapé inicial, tendo que justificar a fala do seu Guru econômico Paulo Guedes, sobre a recriação de impostos nos moldes da CPMF. Foi um reboliço.

Do seu candidato a vice, general Mourão em várias ocasiões ele teve de interceder. A primeira, com a afirmação do general, de que o Brasil herdou a cultura de privilégios dos ibéricos, a indolência dos indígenas e a malandragem dos africanos. Novamente o general e seu sincericídio, sobre o décimo-terceiro e as férias como “jabuticabas brasileiras”, concluindo que temos algumas jabuticabas que a gente sabe que é uma mochila nas costas de todo empresário e o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha.

Não parou por aí e agora no seio familiar, com o vídeo do filho, em declarações feitas em julho, em uma sala de aula para concursos públicos. Lá o garoto Eduardo Bolsonaro, campeão de votos e deputado federal mais votado da História do país, foi protagonista de uma declaração, onde falava que bastaria um soldado e um cabo para fechar o STF. Isso rendeu-lhe explicações ao decano Celso de Melo, ao Supremo Tribunal Federal e um enorme desgaste.

Do lado do Lulopetista Haddad, não foi diferente. Começou tendo de interpretar o humilhante papel de mensageiro e representante de Lula – que se encontra preso no sistema carcerário em Curitiba, cumprido pena por corrupção e lavagem de dinheiro. Depois da farsa petista da candidatura de Lula e tendo de assumir como titular da campanha, passou a apagar incêndios.

No início, a polêmica levantada pelo ex-ministro José Dirceu, de que seria “questão de tempo para o PT tomar o poder”. Antes, a presidente da legenda, senadora Gleisi Hoffmann, também havia feito declaração controversa ao defender o indulto ao ex-presidente Lula, que seria concedido por Haddad caso vencesse a eleição.

Outro tema que pode ter influenciado negativamente a campanha seria a convocação de uma Constituinte, que teve de voltar atrás. Foi duramente criticado por Ciro Gomes no último debate na TV, ainda no primeiro turno, afirmando que não é prerrogativa do presidente da República convocar Constituinte.

O campeão de audiência do Fogo amigo, ficou para Cid Gomes, na capital cearense, onde o senador eleito (PDT-CE) com 3,2 milhões de votos, decretou para os correligionários de Haddad palavras duras – “Vão, vão, vão e vão perder feio, porque fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos de um país, e o Brasil não aceita ter dono, o Brasil é um país democrático. Quem criou o Bolsonaro foram essas figuras, que acham que são donos da verdade, que acham que podem fazer tudo. Lula o quê? Lula está preso, babaca. Isso é o PT, e o PT desse jeito merece ‘perdê’, só para rimar. ”, disparou o fogo amigo.

A mais recente tem a participação direta de Haddad, que acusa o general Mourão de tortura, baseado em depoimento equivocado do cantor Geraldo Azevedo. Outra mancada, já que  o general era menor de idade à época  e um novo desgaste.

E não vai parar por aí… Faltam 3 dias, o dia é longo, tem 24 horas e a campanha está nas ruas.

* Milton Atanazio é jornalista, comunicador, árbitro judicial, consultor diplomático, cônsul honorário da Bielorrússia, editor da Revista VOX e Publisher da BrazilianNEWS – www.foconapolitica.com

 

 

 

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